O que é
Na gagueira, a pessoa sabe exatamente o que quer dizer, mas o cérebro tem dificuldade para liberar o movimento do próximo som. É um transtorno do neurodesenvolvimento, ligado ao funcionamento do cérebro, e está classificado assim nos manuais médicos internacionais (DSM-5 e CID-11). Nervosismo e timidez podem aumentar a gagueira em algumas situações, mas não são a causa.
A gagueira é involuntária e varia: aparece mais em algumas situações de fala e menos em outras. Por isso a família às vezes ouve que "ele só gagueja quando está nervoso".
Na criança
A gagueira costuma aparecer entre os 2 e os 5 anos, quando a criança começa a juntar palavras em frases. Muitas vezes surge de repente, em poucos dias.
Entre 5% e 11% das crianças passam por um período de gagueira. Cerca de 3 em cada 4 se recuperam, mas a recuperação pode levar anos. Na população geral, a gagueira persiste em menos de 1% das pessoas.
Fontes: Yairi e Ambrose, 2013; Reilly e colegas, 2013; Craig e colegas, 2002.
Alguns fatores estão associados a uma chance maior de a gagueira persistir: ser menino, ter outros casos de gagueira na família, começar a gaguejar mais tarde e ter a linguagem menos desenvolvida para a idade. Fonte: Singer e colegas, 2020.
Nem sempre é possível saber, no começo, se a gagueira vai passar. Por isso a avaliação precoce é o caminho mais seguro: ela mostra se a criança precisa de terapia, de orientação à família ou apenas de acompanhamento.
No adulto
Quando a gagueira continua na vida adulta, o trabalho busca uma fala mais fluente e uma comunicação eficiente nas situações que mais pesam: a reunião, o telefone, a entrevista de emprego, a apresentação. O tratamento considera a fala, a forma como a pessoa lida com ela e o efeito dela na vida social e profissional.
Taquilalia e taquifemia
Na fala muito rápida, as palavras se atropelam e quem ouve tem dificuldade para acompanhar. Mesmo quando não chega a ser um transtorno, isso tem impacto na comunicação. A clínica avalia e trata esses quadros.
Como a clínica trata
O atendimento começa com o acolhimento da pessoa e da família e com a anamnese, que reconstrói o histórico de desenvolvimento. Depois vêm a avaliação e um relatório com os resultados e a conduta. Em geral, as sessões são individuais, de 45 minutos, uma vez por semana. Com a criança, o objetivo é a remissão total da gagueira. Com o adulto, é uma comunicação eficiente e com qualidade de vida. A duração depende de cada caso.
Perguntas frequentes
Gagueira é emocional?
Não. É um transtorno do neurodesenvolvimento. Emoções e situações de pressão podem aumentar ou diminuir a gagueira, mas não a causam.
Devo esperar para ver se passa?
A avaliação é o que responde isso com segurança. Esperar sem avaliar pode fazer a criança perder o período em que a intervenção tem mais efeito.
Adulto ainda pode melhorar?
Sim. O tratamento no adulto trabalha a fluência e a comunicação no dia a dia, e muitos pacientes chegam depois de outras tentativas.
A gagueira é hereditária?
A genética tem um peso grande. Estudos com gêmeos estimam que cerca de 80% da variação no risco de gaguejar se explica por fatores genéticos (Rautakoski e colegas, 2012; Ooki, 2005). Por isso, quando alguém da família gagueja, vale ficar atento aos primeiros sinais nas crianças.
A clínica atende convênio?
O atendimento é particular. A clínica fornece recibo para a família solicitar reembolso ao convênio.